Vânia cantou pra subir
Vânia, garota estranha, vivia enterrada em contos de fadas, pregando peças em todos que passava perto do cemitério. Cemitério esse, considerado por ela, sua moradia. Não tinha medo algum dos mortos, já se considerava uma deles, mas dos vivos, sim, sentia arrepios na espinha ao ver um, tinha medo que a matassem de novo, como fizeram quando era mais nova, arrancaram dela, o que ela tinha de mais precioso, a família. De tanto ir ao cemitério, criou um vínculo com ele.
Vânia, uma garota perdida no mundo, brincando sob túmulos, pulando por cima das discórdias que a vida lhe deu. Tão cheia de medos, tão vazia de esperanças, tão grande por fora, tão pequena por dentro. Não conheceu o mundo direito. Mas um dia perdeu as estribeiras, escorregou numa cova, se afogou sem querer, numa poça de lama, e estirada na grama, morreu sem perceber. E os vivos famintos por uma notícia na TV, procuravam saber: “Quem é esta mulher?”.
Vânia, só depois de morta, virou polêmica e fez história, sem culpa de nada. O terror das velhinhas católicas, dos meninos que iam buscar suas bolas, dos coveiros cabras machos e dos bêbados desgovernados, cantou pra subir. A velha garota, que pouco importava, depois de morta, virou motivo de briga entre as emissoras por conta de sua bela história desconhecida.
Escrito por: Caio F. Mendes
Supervisionado e Revisado por: Lorena A. Amaral (colecionar)
Nada será como antes.
O tempo faz perfeitamente seu trabalho de aranha: costurando cada história em uma só, fazendo cada peça do quebra-cabeça formar uma figura, o que resta pra nós é construir, desenhar a figura.
Nada será como antes.
O tempo nunca desfaz seu trabalho. A teia endurece e vira pedra, inquebrável, ela continua intacta na memória. Cabe a nós saber lidar com elas, sejam boas ou ruins, se causa saudade ou indignação. O tempo pode ser cruel ou generoso. Depende dos rabiscos do lápis.
Nada será como antes, nada será como hoje. Pois o tempo é uma aranha, não um caranguejo.
Nada será como antes - Caio Mendes
Tela a tela
Um amor um tanto quanto frio
Tecla a tecla
Digitando um pouco de muito vazio
Stereo HD 3D
Sampleando clichê
Ouvindo coisas que sempre quis ouvir
Amar alguém sem nada pelo outro sentir
“Amor?” Virtual - Caio Mendes
Fez um drama,
disse que me ama…
Por que sabe que assim ela me convence,
me deixa sem chão
- ela sabe todos os truques
pra me levar pra cama
e me deixar com o coração na mão.
E nós,
que um dia iríamos ser 2,
nos tornamos meio.
A sós,
eramos vitória,
e acabamos nos tornando erro.
Sexto-sentido:
arrumar bom partido
(casar com bandido,
viver de ilusão).
Mulher esperta
não olha pros lados,
corta sempre um dobrado
pra não arranjar confusão.
Se acha esperta
“tadinha”
“ela é uma merda”
preferiu ser medíocre
quebrar seu coração.
Às moças que acham espertas demais, mas não sabem de um terço das pessoas a sua volta - Caio Mendes
Poema ou poesia?
Tristeza ou alegria?
Barulho ou harmonia?
Agitação ou calmaria?
Amor ou filosofia?
Com certeza, fatos do dia-a-dia
de uma pessoa que vive num lugar diferente dos demais.
Poema ou poesia? - Caio Mendes
Por onde caminhaste, moço?
Teus pés estão em fogo.
Teu corpo todo…
Que sufoco!
Teu corpo todo…
Ficaste oco
Ficaste roco
Ficaste roxo
Todo machucado,
despedaçado,
desesperado.
Por onde passaste, moço?
Deixaste teu rastro de perfume.
Não se faça
Se assume
Não disfarce
Deslumbre
Não se resume
Conte quem você é
por inteiro.
Onde ficarás, bom rapaz?
- Ficarás em paz,
onde ninguém o desaponta mais.
Forasteiro do medo, Caio Mendes.
Você me prende
me subtrai
mas, se arrepende
quando se vai
sem dizer um “tchau”.
Me torno tão banal,
quando você se afasta.
Gosto quando você se arrasta
para pedir perdão.
Diz que não se importa,
mas fica toda torta,
quando te tiro do chão.
Nossa paixão é toda doida,
a gente bate a porta,
mas depois,
se joga no chão.
Paixão da vida real - Caio Mendes
Você me confunde,
me ilude
mas, se difunde
no meus pensamentos
todo tempo.
Não quero ouvir tua voz
tampouco o seu amor
de papel
que rasga
Se afasta
e se esconde atrás desse véu
de mentiras
Mentira!
me tira
daqui
me livra de ti.
Posso escrever milhões de palavras em milhões de páginas, mas da minha boca não consigo soltar nada.
É fácil falar da dor alheia, mas a explicar o por quê da sua dor é foda.
não quero mais escrever de amor
não quero mais viver de clichê
não quero mais rimar a dor
não quero mais pensar em você
queria mesmo é curtir o agora
sem ligar pra quem me vê
queria ver o Mundo lá de fora
mas nem todo querer, é poder…
É muita cabeça cheia (
Lucro
Prestígio.
Lucro
Popularidade
Lucro
Modernidade
Lucro
Luxúria
Lucro
“Poder”
Lucro
Beleza exterior
Lucro
Jóias
Lucro
Colunas sociais
Lucro.
) pra muito coração vazio.
Ás vezes me procuro até na gaveta da escrivaninha e não me acho em lugar algum. Olho pra todos os lados e tudo parece está dividido por várias portas, como num labirinto: a gente pode pegar o caminho certo, mas ás vezes, a gente bate com a cabeça na porta. Eu tenho medo de bater a cabeça na porta, tenho medo de nunca descobrir quem eu sou ou por que eu tô aqui.
Tudo pra mim parece uma confusão no copo d’água, mesmo não demonstrando isso. Acho que é minha obrigação sempre me manter bem-humorado e suportar todos as minha indignações, não sei o porque, mas, me sinto mais adulto quando engulo seco quando as pessoas me magoam, afinal, ser adulto é ser frio, seco, não é? Pois bem, manter a postura pra eles é tudo, não deixar que a lágrima pese tanto pra deixar a cabeça cair.
Ás vezes não me sinto eu, mesmo não sabendo quem sou eu.